Do “esquadrão da morte” ao “urbanismo miliciano”
como a trajetória do crime organizado moldou a captura do Minha Casa, Minha Vida no Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.70622/2236-8957.2026.698Palavras-chave:
políticas públicas, habitação, Minha Casa, Minha Vida, organizações criminosas, urbanismo milicianoResumo
O artigo examina a apropriação de conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) por milícias e facções do tráfico de drogas, interpretando-a como efeito de uma mudança estratégica nas formas de obtenção de renda ilícita, a qual desloca o foco para o setor imobiliário. A vulnerabilidade dos empreendimentos do MCMV, decorrente de fatores urbanísticos e socioeconômicos e de falhas institucionais, vem sendo explorada por grupos criminosos armados para impor controle coercitivo sobre os moradores. Essa captura compromete a eficácia das políticas sociais e o direito à moradia, enfraquece a autoridade estatal e contribui para perpetuar ciclos de violência e exclusão.
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